“Foi o que nos salvou”, afirma fungicultora sobre tecnologia de produção de cogumelos frescos da APTA

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Agência auxiliou produtores a cultivar e comercializar cogumelos frescos para driblar concorrência chinesa

            A fungicultora, Aleir Ceclat Rodrigues, mantinha doze estufas para o cultivo de cogumelos Champignon de Paris em Pinhalzinho, interior paulista. Tudo ia bem, até que o Brasil liberou a importação de cogumelos cozidos da China, em 2008. Muito mais baratos, os cogumelos chineses arrasaram a produção nacional. Só em Pinhalzinho, mais de 30 produtores saíram da atividade. No mesmo ano, Aleir conheceu o pesquisador do Polo Regional de Monte Alegre do Sul, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Daniel Gomes, que apresentou a ela e a outros fungicultores da região um novo jeito de comercializar cogumelos: frescos, sem cozimento. A novidade causou estranheza, mas hoje, nove anos depois, Aleir conclui: “Foi o que nos salvou”.

            A tecnologia de produção de cogumelos frescos será apresentada pela APTA na Agrishow, no espaço Vitrine Tecnológica para Pequena Propriedade, no Estande da Secretaria de Agricultura. “No lugar do produto cozido, sugerimos a venda do cogumelo fresco, in natura. O resultado foi, aproximadamente, 40% mais de lucro aos produtores e um produto com alto valor nutricional para os consumidores”, afirma Gomes.

            “Eu achava que não ia dar certo, que era difícil colher o cogumelo in natura, embalar e vender... tinha certeza que não íamos conseguir”, recorda Aleir. Mesmo desacreditando, ela, o marido e dois filhos decidiram aceitar a recomendação e começaram a produzir e comercializar o cogumelo fresco. Afinal, não tinha como enfrentar a concorrência chinesa.

            O pesquisador da APTA, na época, iniciou um trabalho junto aos pequenos agricultores e ensinou cuidados básicos de pós-colheita, como cultivar e colher, orientou sobre o controle orgânico de pragas na cultura e acompanhou de perto todo o processo de produção das propriedades, da embalagem ao processamento. “Foi muito importante também porque a APTA passou a divulgar o cogumelo fresco. As pessoas passaram a conhecer e a querer consumir o produto, que é mais gostoso e mais nutritivo que o cozido”, conta a fungicultora.

            Hoje, Aleir mantém cinco estufas, onde produz cinco toneladas por mês de Champignon de Paris e Portobello, comercializados em São Paulo, Capital. Toda a produção é destinada à comercialização do cogumelo in natura. “Até pouco tempo atrás, ainda dava para fracionar a venda em cogumelo cozido e fresco. Hoje, não dá mais. Para sobreviver na atividade é necessário destinar pelo menos 90% da produção para a comercialização do cogumelo in natura”, afirma.

            O que Aleir conta é muito fácil de perceber nos números. Atualmente, para produzir um quilo de cogumelo cozido, o produtor tem o custo de R$ 15,00 e consegue comercializá-lo a R$ 10,00, no máximo. O cogumelo in natura já teve preços melhores, mas hoje, pode ser vendido a R$ 15,00 o quilo, com o custo de produção de R$ 10,00.

            “Dá mais trabalho produzir o cogumelo cozido e há um gasto para realização do cozimento. Além disso, agora temos uma produção praticamente orgânica. Com as indicações do doutor Daniel Gomes reduzimos os custos com insumos”, comemora.

Por Giulia Losnak e Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa – APTA

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