APTA apresentará etapas para a produção de mudas de seringueira em bancada suspensa durante Agrishow

seringueira

Tecnologia inovadora é viável e traz garantia genética e sanitária ao heveicultor

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, apresentará durante a Agrishow 2018 as etapas para a produção de mudas de seringueira em bancada suspensa e substrato. A demonstração auxiliará os produtores de seringueira do Estado de São Paulo a atender a Resolução 23 da Secretaria de Agricultura, que exige a produção de mudas neste modelo de produção, por proporcionar melhor qualidade fitossaniatária das mudas.

A produção de mudas de seringueira em bancada suspensa e substrato tem como vantagem a melhor qualidade fitossanitária das mudas e a rastreabilidade genética. A tecnologia evita a disseminação de pragas consideradas limitantes à cultura, como os nematoides, e permite melhor pegamento das mudas em plantio de campo. “Quando se utiliza muda de chão, a porcentagem média de replantio é em torno de 20%. Ao usar muda de bancada suspensa esse índice cai para 2%. As mudas de bancada são de melhor qualidade genética e sanitária, resultando em seringais mais homogêneos e que entram em sangria mais rapidamente”, afirma Elaine Cristine Piffer Gonçalves, pesquisadora do Polo Regional de Colina da APTA.

A Resolução 23 da SAA foi criada após um trabalho realizado pela CDA e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Jaboticabal, detectar que 74% das amostras das raízes das mudas de seringueira dos viveiros de chão estavam contaminadas com os nematoides Prtatylenchus  sp  e Meloidogyne spp. De acordo com Elaine, estas pragas, consideradas limitantes à cultura da seringueira, são responsáveis pela diminuição da produção e associadas a doenças causam morte de plantas adultas, resultando em grandes prejuízos ao heveicultor. “A maior forma de disseminação dos nematoides, inclusive para áreas livres destas espécies, tem sido por meio da comercialização de mudas de seringueira produzidas no chão”, diz.

Desde 2016, os viveiristas do Estado de São Paulo só podem produzir mudas em bancada suspensa e substrato, em respeito à Normativa Estadual. “Cerca de 20 viveiristas paulistas estão utilizando este processo de produção e colhendo os bons frutos de seu trabalho. O próprio heveicultor, devido às inúmeras vantagens que este tipo de muda oferece, está procurando este tipo de muda para plantio”, explica a pesquisadora.

Durante a Agrishow, a APTA explicará aos heiveicultores e vivieiristas o passo a passo do sistema. A Agência levará à Feira plantas de seringueira, que serão usadas para demonstrar como fazer a sangria, altura de abertura do primeiro painel de sangria, sangrias subsequentes e técnicas de balanceamento de painel, indicado para minimizar risco de secamento e aumentar a produção.

Diagnóstico sobre produção de mudas de seringueira em bancada suspensa

 

Em 2016, Elaine e o presidente da Câmara Setorial de Borracha do Estado de São Paulo, Luciano Della Nina, elaboraram um questionário aplicado em 90% dos viveiristas de mudas de bancada suspensa, com a colaboração do pesquisador do Polo Regional de Pindorama da APTA, Antonio Lúcio Mello Martins, e do técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Carlos Alberto De Luca. O trabalho originou um diagnóstico sobre a produção de mudas de seringueira em bancada suspensa, em 2017.

O diagnóstico foi feito após muitos produtores mostrarem-se relutantes a mudar o sistema que vinha sendo utilizado na heveicultura há 40 anos. “Fomos ao campo ver as experiências dos produtores com esse novo modelo de produção. O Estado de São Paulo é pioneiro nesse sistema e queríamos analisar se haviam produtores conseguindo produzir e quais as dificuldades encontradas”, diz Elaine.

A pesquisa observou que grande parte da resistência dos produtores se dava pela necessidade de investimentos em infraestrutura e tecnologias. “Os produtores estavam acostumados a produzir mudas no chão com um custo até 60% inferior ao das mudas de bancadas, sem tantas exigências sanitárias e de rastreabilidade”, explica a pesquisadora. O trabalho apontou que o modelo de produção é viável para a heveicultura paulista.

Também foram avaliadas as tecnologias usadas pelos produtores. “A intenção do diagnóstico foi observar quem estava tendo sucesso na produção de mudas de seringueira em bancada suspensa, e o porquê desse sucesso, e quem estava tendo dificuldade e identificar as possíveis falhas ocorridas”, afirma a pesquisadora.

Etapas de produção de mudas

 

                Elaine explica que a produção de mudas de seringueira em bancadas suspensas segue algumas etapas. A primeira delas é a escolha das sementes. O produtor precisa selecionar os clones que serão usados como porta-enxertos. Depois disso, as sementes são colocadas para germinar de forma suspensa ao chão e em substrato. O produtor deve então escolher as plantas no germinador selecionando os porta-enxertos sem defeitos de raiz e mais vigorosos.

                Após esse processo é necessário fazer a repicagem dos porta-enxertos. As plantas selecionadas serão transplantadas em sacolas plásticas, onde serão conduzidas até a comercialização. "A enxertia deve ser feita quando os porta-enxertos atingirem cerca de 12 mm de espessura do caule e cinco centímetros acima do solo. Após 21 dias da data em que foi feita e enxertia se retira do fitilho. Após a retirada do fitilho se faz a poda do porta-enxerto. De 40 a 60 dias após a poda, dependendo das condições climáticas, as mudas estarão com lançamento maduro, prontas para serem levadas para o campo, para plantio”, explica a pesquisadora.

                “Esta pesquisa é fundamental para mostrar ao heveicultor que esta tecnologia é viável e traz benefícios relacionados a fitossanidade e a produção de seringueira. Levar conhecimento ao agricultor é uma das recomendações do governador Márcio França”, afirma Francisco Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Por Giulia Losnak e Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa – APTA

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